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Duilio de Lapeyra se prepara para os 21K da eMDS2017

O maratonista sofreu um grave acidente quando participava de uma prova benéfica para a Teletón

O atleta volta a participar na Entel Maratón de Santiago, um evento que o motivou a continuar seguindo em frente.

Duilio de Lapeyra (40) é engenheiro comercial e maratonista. Seu nome não ganhou fama pelos milhares de quilômetros percorridos que ele tem na bagagem, mas por um lamentável e dramático acidente de trânsito que aconteceu no final de 2012.

Duilio e um grupo de amigos se reuniram para correr de maneira benéfica no evento “130 Puro Corazón”, que procurava reunir contribuições para a Teletón, quando no quilômetro 7,5 da rodovia 78 foram atingidos por um automóvel que era dirigido por uma pessoa bêbada. Três amigos faleceram. Ele e outro atleta tiveram lesões de extrema gravidade.

Contra todas as previsões, este fanático pelo deporte conseguiu se reabilitar, e embora o processo continua, conta com muito orgulho que deixou seu bastão de apoio em junho de 2016 e há seis meses voltou a treinar combinando trekking, natação e spinning.

“Faço pouco trote na rua porque tenho um pouco de medo. Vou com meu bastão patinete para treinar em lugares distantes, onde quase não tem gente. Ainda tenho um pouco de vergonha, são besteiras, mas talvez faz parte da reabilitação”, disse.

Duilio esteve um ano se reabilitando na Teletón, sete meses em cadeira de rodas e mais de dois anos com muletas, para depois usar o bastão. Embora apresente dor crônica, ele conta que esse longo processo para ir em frente foi motivado pela sua mulher, Susana, sua filha Francisca (16), Ignacia (14) e Duilio (8).

Como parte da sua recuperação, em 2015 ele se inscreveu na prova dos 21K da eMDS. E fez o trajeto a pé, junto com a sua mulher e um grupo de amigos. Em 2016 repetiu a ideia nos 10K, mas agora com um trote suave. Cruzou a linha de chegada com um tempo de 1 hora e 17 minutos.

“Fui me inscrever na ‘cara de pau’, mas minha intenção nunca foi participar por um tempo, e sim pela motivação que significa formar parte desta festa. Então eu pensei: por que não tentar? Tive uma participação digna (risos) e, melhor ainda, continuo me emocionando, pois durante todo o percurso as pessoas me apoiavam, de fato, muitos foram junto comigo embora seu tempo diminuísse, porque preferiram me acompanhar. Senti um apoio enorme”, conta com emoção este maratonista apaixonado pelo que faz e que nunca se deu por vencido durante sua reabilitação, ao ponto de estudar um MBA com menção em Finanças durante o processo de voltar a praticar esporte.

“A Maratona de Santiago é mais do que uma corrida: é um ícone e faz parte do patrimônio do Chile. Não sei se existe outra coisa que consiga mobilizar milhares de pessoas por causa do esporte. Poder participar dela hoje é superimportante, é sentir que eu não ‘me ferrei’… não consigo achar outra forma de dizer isso. Porque depois do acidente assisti a maratona pela televisão e pensei que não participaria nunca mais”, conta o atleta que antes do seu acidente tinha corrido a eMDS 2008 em 21K e de 2009 a 2012 os 42K.

“Para esta maratona eu inventei um ‘bastão articulado’ inspirado na patinete do meu filho, portanto espero conseguir manter o ritmo sem sobrecarregar a perna mais fraca”, comenta com entusiasmo.

Para 2018 seu próximo desafio é a prova “Correndo sem limites”, que significa voltar a participar do Ultra Trail du Mont Blanc, percurso que ele tinha feito justo um ano antes do acidente. Para isso, neste 2017 ele já tem várias competições programadas para somar pontos e poder entrar para a seleta lista do evento de trail, que aparece como um novo desafio para este atleta exemplar, que com garra e perseverança quer continuar mostrando que para correr não existem limites.

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